100 anos ou 25? As duas versões do acordo EUA-Venezuela
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Entenda a decisão da ONU de recomendar o novo mapa-múndi e como a ciência explica a verdadeira dimensão da África em relação ao planeta.

Quem estudou numa sala de aula nas últimas décadas lembra-se do mapa-múndi pendurado na parede em que a Groenlândia aparenta ter o mesmo tamanho do continente africano. A maioria das pessoas cresceu aceitando essa imagem sem questionar. Só que a geografia real do planeta é bem diferente, e a recomendação recente da ONU recolocou a escala dos continentes no centro do debate global.
No dia 4 de setembro de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução proposta por Togo e apoiada pelos 54 integrantes da União Africana. Com 164 votos favoráveis, a organização recomendou o uso de projeções cartográficas de área equivalente, como a Equal Earth, substituindo o modelo de Mercator em materiais educacionais e institucionais.
Diferença real de tamanho
A África possui 30,37 milhões de km², sendo catorze vezes maior do que a Groenlândia (2,16 milhões de km²), apesar de parecerem equivalentes no mapa tradicional.
Essa distorção começou em 1569, quando o cartógrafo holandês Gerardus Mercator criou uma carta de navegação projetada para orientar caravelas em alto-mar.
Na época, os navegantes precisavam traçar linhas retas na bússola e manter o rumo correto sem derivar. Mercator resolveu esse problema com uma projeção cilíndrica conformal, uma técnica que preserva os ângulos locais e a forma dos territórios.
Essa solução para marinheiros trazia uma limitação geométrica: quanto mais distante uma região está da linha do Equador em direção aos polos, maior fica a sua escala no papel. As áreas temperadas e polares do hemisfério norte, como Europa, Canadá, Rússia e Groenlândia, ganharam proporções ampliadas. Já os continentes próximos ao Equador, como a África e a América do Sul, mantiveram dimensões mais fiéis à escala original, parecendo encolhidos em comparação ao norte expandido.
Mercator desenhou o seu mapa para orientar rotas marítimas em 1569. O problema surgiu nos séculos XIX e XX, quando editores de atlas e manuais de ensino adotaram essa carta de navegação como a representação padrão da Terra nas salas de aula.
Nenhum mapa é neutro. A escolha de uma projeção constrói a nossa visão do mundo. Usar uma projeção equivalente nas escolas é educar as pessoas para compreenderem a verdadeira escala e importância da África e do Sul Global.
A recomendação de um novo padrão cartográfico levanta uma questão prática: por que não se desenhou um mapa sem qualquer erro desde o início?
A explicação está na geometria. Em 1827, o matemático alemão Carl Friedrich Gauss demonstrou no Teorema Egregium que é impossível representar uma superfície esférica tridimensional num plano bidimensional sem alterar áreas, ângulos ou distâncias.
Por essa limitação matemática, qualquer projeção precisa escolher o que priorizar:
A resolução aprovada na ONU integra a campanha "Correct the Map", organizada pela União Africana sob a liderança do Togo. O objetivo é corrigir a percepção geográfica ensinada nas escolas.
O modelo recomendado é a projeção Equal Earth (Terra Igual), desenvolvida em 2018 por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny para apresentar uma alternativa precisa quanto às áreas dos continentes.
Na projeção Equal Earth, a dimensão real da África salta à vista. Com 30,3 milhões de quilómetros quadrados, a África é o segundo maior continente da Terra. Essa escala correta traz dados relevantes para analisar temas globais e compreender o desenvolvimento socioeconómico do continente africano.
Em termos de comparação territorial, a área total da África é suficiente para abrigar simultaneamente os territórios dos Estados Unidos, da China, da Índia, de toda a Europa Ocidental e do Japão, mantendo ainda área sobressalente.
A adoção de novas diretrizes cartográficas interfere na forma como gerações de estudantes percebem o peso territorial e histórico de cada região.
Países como a França já iniciaram a transição para projeções de área equivalente no material escolar da rede pública. Com o avanço dessa orientação, a representação tradicional abre espaço para o tamanho físico proporcional dos continentes.
Os mapas influenciam a interpretação da geografia global. Ao recomendar projeções equivalentes, a cartografia e as Nações Unidas alinham a representação impressa e digital com as dimensões reais da Terra.
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